Turista gaúcha presa por injúria racial exige falar com “delegado branco”

A Polícia Civil informou que a atitude foi registrada durante os procedimentos e será analisada no inquérito.

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A turista Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa na quarta-feira (21) em Salvador por suspeita de injúria racial durante um evento gratuito realizado no Pelourinho. A prisão em flagrante foi efetuada pela Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).

De acordo com a polícia, o episódio ocorreu na Praça das Artes, onde a vítima trabalhava no bar do evento. Em depoimento, a comerciante relatou ter sido chamada de “lixo” pela turista e afirmou que também foi cuspida durante a discussão. Testemunhas acionaram a segurança do local e, em seguida, a Polícia Militar conduziu a suspeita à delegacia especializada.

Exigência na delegacia agravou o caso

Já na Decrin, segundo o registro policial, Gisele adotou postura considerada discriminatória ao exigir ser atendida por um “delegado branco”, conduta que reforçou o teor racista da ocorrência e foi incluída nos autos. A Polícia Civil informou que a atitude foi registrada durante os procedimentos e será analisada no inquérito.

Uma audiência de custódia foi marcada para avaliar a legalidade da prisão e eventuais medidas cautelares. Até a última atualização, a defesa da suspeita não havia sido localizada.

Perfil nas redes e estadia na capital baiana

Moradora da Cidade Baixa, em Porto Alegre, Gisele se apresenta nas redes sociais como criadora de conteúdo para viajantes, com publicações sobre turismo e divulgação de hospedagens. Ela estava em Salvador havia cerca de uma semana, em período de férias.

Chamou atenção o contraste entre o episódio e conteúdos publicados pela própria turista, que incluem fotos com baianas e com integrantes do Afoxé Filhos de Gandhy, grupo criado em 1949 e reconhecido como Patrimônio Cultural da Bahia. Conhecidos ouvidos pela imprensa afirmaram acreditar na inocência da mulher, descrevendo-a como entusiasta do samba e praticante de religião de matriz africana.

Relato da vítima e investigação

Em entrevista, a vítima identificada como Hanna detalhou que, após uma venda no bar, foi ofendida verbalmente; ao questionar, a turista teria reiterado o xingamento e cuspido nela antes de se afastar. A segurança do evento tentou retirá-la do local após novos atritos.

A Polícia Civil segue colhendo depoimentos de testemunhas e analisando as circunstâncias do fato. No Brasil, injúria racial é crime previsto em lei e pode resultar em reclusão de dois a cinco anos, além de multa, conforme o enquadramento. O caso reacendeu o debate sobre discriminação e racismo em espaços públicos, especialmente em áreas de forte simbolismo histórico como o Pelourinho.

Redação Fofoca Geral

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