BBB 26: MP denuncia Matheus Moreira por homofobia
A denúncia não implica condenação imediata, mas marca o início de um processo de apuração criminal fora do âmbito do reality.
matheus bbb 26
O Ministério Público de São Paulo denunciou Matheus Moreira, participante do BBB 26, por suspeita de homofobia após uma série de falas e atitudes exibidas durante o reality show da TV Globo. A representação foi formalizada na quinta-feira (22) e pede a abertura de investigação com base em comportamentos considerados ofensivos à comunidade LGBTQIAPN+.
A denúncia ocorre após a repercussão de cenas em que o brother teria feito uma imitação considerada pejorativa de Marcelo, participante assumidamente gay, durante um desfile na casa. O episódio ganhou ampla circulação nas redes sociais e passou a ser analisado sob a ótica jurídica, ultrapassando o debate restrito ao entretenimento.
Além da imitação, outras falas e atitudes atribuídas a Matheus ao longo do confinamento já vinham sendo alvo de críticas do público e de alertas dentro da própria casa, especialmente por associarem estereótipos, preconceitos e comentários considerados discriminatórios.
A representação foi apresentada por Agripino Magalhães, suplente de deputado federal por São Paulo e presidente da Associação do Orgulho LGBTQIA+, e aceita pelo MP-SP, que agora avalia os elementos reunidos para dar andamento à apuração.
Quem é Matheus Moreira no BBB 26
Matheus Moreira é natural do Rio Grande do Sul e se apresenta como professor de boxe. Entrou no BBB 26 com um discurso de disciplina, foco físico e competitividade, características que marcaram sua trajetória inicial no programa. No entanto, ao longo das primeiras semanas, seu comportamento passou a gerar desconforto entre outros participantes e forte rejeição nas redes sociais.
Dentro da casa, Matheus já havia sido advertido informalmente por colegas após cantar um hino associado a torcidas organizadas do Sul do país, frequentemente criticado por conter trechos interpretados como homofóbicos. O episódio foi levado ao conhecimento de Babu Santana, líder da semana, por Juliano Floss, que demonstrou preocupação com o impacto das falas.

Além disso, o brother também foi alvo de críticas após comentar, em conversa com outros participantes, sobre a virgindade de Gabriela, sugerindo que isso a afastaria de uma vivência social “normal”. A fala foi considerada machista e preconceituosa por parte do público e ampliou o histórico de controvérsias envolvendo seu nome no jogo.
Antes mesmo de entrar oficialmente no programa, vídeos antigos de Matheus circularam nas redes sociais, incluindo registros da Casa de Vidro, reacendendo debates sobre seu comportamento e posicionamentos.
Denúncia e enquadramento legal
Segundo o autor da denúncia, as atitudes exibidas por Matheus podem configurar crime de injúria racial por motivação LGBTQIAPN+fóbica. Desde decisão do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2019, a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero passou a ser equiparada ao crime de racismo, com base na Lei nº 7.716/1989.
A legislação prevê pena de um a cinco anos de prisão, além de multa, em casos de ofensas, incitação ao preconceito ou discriminação motivada por orientação sexual ou identidade de gênero. O entendimento do STF também ampliou o enquadramento para situações ocorridas em espaços públicos ou de ampla exposição, como programas de televisão.
O Ministério Público avalia se as falas e gestos exibidos no reality se enquadram nos critérios legais, levando em conta o contexto, a intenção e o impacto das declarações.
Repercussão e próximos passos
O caso reacendeu o debate sobre responsabilidade de participantes de realities, especialmente em programas de grande audiência, e sobre os limites entre “jogo”, opinião pessoal e discurso discriminatório. Entidades de defesa dos direitos humanos e do movimento LGBTQIAPN+ acompanharam a denúncia e cobram posicionamentos mais firmes das instituições.
Até o momento, Matheus Moreira não se manifestou publicamente sobre a denúncia. A produção do programa também não comentou oficialmente o caso. O espaço segue aberto para manifestações da defesa do participante.
Enquanto isso, o episódio reforça como comportamentos exibidos em rede nacional podem ter consequências que extrapolam o jogo, alcançando a esfera jurídica e social.
