Empresário Sérgio Nahas é preso na Bahia 24 anos após matar a esposa
Condenado pelo assassinato da esposa em 2002, Sérgio Nahas foi preso na Bahia quase 24 anos depois, após ser localizado por reconhecimento facial.
Sérgio Nahas é preso na Bahia quase 24 anos após matar a esposa em São Paulo; empresário havia sido condenado e estava foragido.
O empresário Sérgio Nahas foi preso no último sábado (17), na Praia do Forte, no litoral norte da Bahia, quase 24 anos após o assassinato da própria esposa, crime ocorrido em 2002, no bairro de Higienópolis, área nobre da cidade de São Paulo. A informação foi confirmada pela polícia e divulgada pela CNN Brasil.
De acordo com a Polícia Civil da Bahia, Nahas foi localizado por meio de câmeras de reconhecimento facial instaladas na região. Após a abordagem, ele passou por audiência de custódia e foi encaminhado ao sistema prisional. Um detalhe que chamou atenção das autoridades é que o local da prisão foi o mesmo onde o casal havia passado a lua de mel, poucos meses antes do crime.
Crime ocorreu em 2002 e chocou São Paulo
O caso remonta a maio de 2002, quando Fernanda Orfali, então com 28 anos, foi morta com um tiro no peito dentro do apartamento do casal, em Higienópolis. Segundo as investigações, o disparo ocorreu após Fernanda comunicar a decisão de encerrar o relacionamento.
Durante o inquérito, surgiram relatos de conflitos frequentes entre o casal. As apurações indicaram que Fernanda confrontava o marido por uso abusivo de cocaína e por um relacionamento extraconjugal, fatores que teriam intensificado as discussões antes do crime.
Desde o início, laudos periciais e análises técnicas sustentaram a tese de que o disparo não foi acidental, nem resultado de suicídio. Ainda assim, a defesa de Nahas alegou, ao longo dos anos, que Fernanda teria tirado a própria vida, versão sempre contestada pela família da vítima.
Condenação demorou mais de uma década
Apesar da autoria apontada pelas investigações desde os primeiros momentos, o processo judicial se estendeu por anos, marcado por recursos e disputas jurídicas. Somente 16 anos após o crime, Sérgio Nahas foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Na ocasião, o empresário acabou condenado por homicídio simples, sem qualificadoras, contrariando o pedido do Ministério Público, que defendia a condenação por homicídio qualificado. A pena inicial foi fixada em sete anos de prisão em regime semiaberto.
Posteriormente, o Ministério Público recorreu da decisão, e a pena foi aumentada para oito anos e dois meses, com cumprimento em regime fechado.
Mandado de prisão e alerta internacional
Em 2025, a Justiça expediu um mandado de prisão contra Nahas. O nome do empresário foi incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo que permite a prisão do condenado caso ele fosse localizado em outro país, indicando a possibilidade de fuga ou evasão do cumprimento da pena.
A prisão na Bahia encerra um longo período em que o empresário permaneceu em liberdade, apesar da condenação definitiva.
Indignação da família e contexto de violência contra a mulher
Ao longo dos anos, familiares de Fernanda Orfali manifestaram indignação com a demora da Justiça e com o que consideram uma punição branda diante da gravidade do crime. Segundo a família, o alto poder aquisitivo de Sérgio Nahas teria contribuído para a lentidão do processo e para a multiplicidade de recursos judiciais.
O caso volta a ganhar repercussão em um momento em que o Brasil enfrenta números alarmantes de violência contra a mulher. Dados recentes apontam que 2025 registrou recordes de feminicídio, com uma média de quatro mulheres mortas por dia no país.
Até o momento, a defesa de Sérgio Nahas não foi localizada para comentar a prisão. O espaço segue aberto para manifestações.
